Pentecostes: Tempo de viver a vida no Espírito

2021-05-23
Espiritualidade

No domingo de pentecostes de 2020, iniciávamos nossas postagens neste blog, com uma linda reflexão de nosso amado Padre Wilton, nosso orientador espiritual na condução da SanPioTur, sobre a  Igreja: Fruto do Pentecostes e hoje neste dia em que novamente celebramos a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos queremos mais uma vez dividir alguns pensamentos sobre este momento, um dos mais importante da história do cristianismo.

Celebrava-se a Festa das Semanas (Shavuot, a festa dos Dez Mandamentos), 50 dias depois da Páscoa. Era o dia 06 do mês de Sivan, Jerusalém estava repleta de peregrinos.

Shavout – Traduzido literalmente como semanas, devido às sete semanas transcorridos desde a Páscoa, o Shavuot é a segunda das três festas de peregrinação a Jerusalém que a Bíblia prescrevia aos israelitas para fazer suas oferendas no templo. Junto com a Pesah (Páscoa) e o Sucot (Tabernáculos), o Shavuot completa a tríade de festas que lembram o Êxodo, a saída dos judeus do Egito.

Nas peregrinações do Shavout, todos traziam as primeiras colheitas para serem ofertadas no Templo. As peregrinações até Jerusalém eram lindas, grupos de pessoas caminhando juntos com cestos de uva, trigo, azeitonas, tâmaras, mel, e sendo acolhidos em Jerusalém ao som de harpa, flauta e recitação de Salmos.

A Festa do Shavout era o momento em que se buscava reafirmar e aprofundar o sentido da fé em Javé, o Deus Criador e Libertador, quando se buscava:

  •  Aprender a fraternidade: Um dos detalhes marcantes dessa festa era o fortalecimento da fraternidade entre os trabalhadores do campo, incluindo a população israelita, os servos e estrangeiros;
  • Aprender a ter compromisso com Deus e com a comunidade: Ao celebrar a festa, toda a comunidade aprendia a ser responsável para com a vontade de Deus e com o próximo – não somente com os irmãos de sangue e fé;
  • Aprender a repartir os dons:  Na festa das colheitas a comunidade de trabalhadores do campo entregava o excedente de sua produção agrícola para Javé, a fim de que essa oferta fosse compartilhada com os menos favorecidos;
  • Aprender a agradecer: Agradecer a Deus pelo dom da terra para morar, plantar e alimentar dos frutos produzidos nela e ser grato pela “terra que mana leite e mel”, pela cevada, trigo e outros grãos que sustentam a vida.

Com a vinda do Espírito Santo, naquele dia de Pentecostes, os primeiros frutos do penoso trabalho de Jesus foram entregues ao Pai, foi um marco de transição na história. Este evento não só marcou a vida daquelas pessoas no primeiro século, como também marcou o início do cristianismo.

Para nós, a Páscoa cristã nasceu com a ressurreição de Cristo, o Cordeiro de Deus, que nos liberta da escravidão do pecado. Cinquenta dias depois o Espírito Santo veio de acordo com a promessa de Cristo, e deu-nos uma nova lei. Não mais escrita em tábuas de pedras, mas, em corações humanos, essa é a comemoração do dia de Pentecostes para nós – Jesus é o trigo que caiu na terra, morreu e não ficou só, mas gerou uma grande colheita como Ele mesmo afirmou:

Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto (Jo 12:24).

No dia de Pentecostes milhares compreenderam a revelação clara e perfeita concedida através da chegada do Espírito do Senhor. Deus concedeu a Sua Lei perfeita, através do Verbo que se tornou carne -Jesus Cristo – e agora confirmava a Sua presença, através da pessoa do Espírito Santo.

A vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes confirmou a realidade da presença, poder e comunhão de Deus com o seu povo. Jesus prometeu estar juntos daqueles que creem e isso acontece através da pessoa do Espírito Santo.

E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês. (Jo 14:16,17)

e ainda:

Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito. (Jo 14:26).

A vinda do Espírito Santo em Pentecostes tem o propósito de converter o pecador aos pés do Senhor Jesus Cristo. Pentecostes fala de poder, de uma autoridade que não é humana, mas divina, que reveste o homem com o poder do alto e o leva a gerar uma grande colheita, apresentando com alegria seus frutos ao Senhor e São Paulo em sua carta aos Romanos no capítulo 8 nos apresenta o que é a vida segundo o Espírito e os resultados deste modo de vida:

  • Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.
  • A inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
  • Se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.
  • Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus, porque não recebestes o espírito de escravidão, mas o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. E, se nós somos filhos, somos herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo.
  • O Espírito também ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
  • E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Queremos terminar nossa mensagem de hoje dividindo com vocês a mensagem de nosso amado Papa Francisco no Pentecostes do ano passado, mas que se mantem muito atual nestes momentos que ainda estamos vivendo:

Peçamos que o Espírito Santo, memória de Deus, reavive em nós a lembrança do dom recebido. Liberte-nos das paralisias do egoísmo e acenda em nós o desejo de servir, de fazer bem. Porque pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar fechando-nos em nós mesmos. Vinde, Espírito Santo! Vós que sois harmonia, torna-nos construtores de unidade; Vós que sempre Vos doais, dai-nos a coragem de sair de nós mesmos, de nos amar e ajudar, para nos tornarmos uma única família. Amém