Éfeso: O Local da Casa de Nossa Mãe do Céu

Em uma de nossas recentes postagens compartilhamos um pouco sobre As Santas Metéoras: Uma Cidade de Pedra Unindo o Céu e a Terra onde mencionamos que neste mesmo roteiro de peregrinação temos a graça de visitar a casa de nossa Mãe do Céu em Éfeso.

Tudo começa aos pés da Cruz do Senhor quando o próprio Jesus entrega sua mãe à guarda do apostolo João, como ele mesmo nos narra:

” Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto, Jesus disse a sua Mãe: “Mulher, eis o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua Mãe”. (Jo 19,26-27).

A partir de então, João cuidou de Maria até a morte dela, segundo a tradição, aos 61 anos, ou seja, 13 anos e dois meses depois da crucificação de Cristo.

Preocupado em proteger Maria, já que muitos cristãos estavam sendo perseguidos em Jerusalém após a morte de Jesus, e pela necessidade de cumprir o mandato do Senhor.

“Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
(Mt. 28, 19)

O discípulo amado de Cristo levou a Virgem Maria para Éfeso, onde João viveu, escreveu seu evangelho e pregou o cristianismo.

A construção de Éfeso remonta ao ano 1000 a.C. pelos gregos, porém foi em torno do ano 129 a.C., já sob o domínio do Império Romano, que atingiu seu ápice, perdendo em importância apenas para Roma. Segundo os historiadores a população de Éfeso chegou a 400 mil habitantes, e era um dos mais importantes centros comerciais da época, graças principalmente à sua localização estratégica: pelo mar estava ligada à Roma e por terra com grande parte da Ásia.

A cidade de Éfeso é citada muitas vezes no Novo Testamento. No primeiro século muitos judeus moravam em Éfeso e ali conseguiram influência e riquezas. A comunidade judaica em Éfeso contava com a proteção romana, e inclusive chegou a construir sua própria sinagoga na cidade.

Se não bastassem as atrações históricas e arqueológicas dessa belíssima região de grande relevância na difusão do cristianismo, para nós católicos, é em uma pequena igreja bizantina do século XIII, sobre uma estrutura datada entre os séculos VI e VII, construída, por sua vez, sobre um assentamento – este sim, do século I, que encontramos a principal razão de nossa visita a esta região encantadora, o local onde teria sido a Casa de Nossa Mãe do Céu.

A descoberta da casa foi obra do padre francês, abade Julien Gouyet, em 1881, com base nos relatos de Ana Catarina Emmerich*.

*Ana Catarina Emmerich foi uma religiosa agostiniana mística estigmatizada alemã, que viveu entre 1774 e 1824 e durante sua vida teve várias visões sobre momentos da historia da salvação entre eles este que relata o período em que Maria viveu em Éfeso, incluindo seu dia a dia, sua casa e a localização da mesma. O papa São João Paulo II beatificou Ana Catarina em 03 de outubro de 2004.

Em um primeiro momento poucos acreditaram que o pequeno edifício em pedra numa montanha com vista para o mar Egeu e para as ruínas da antiga Éfeso na Turquia era a casa descrita por Emmerich e onde Maria teria vivido seus últimos anos.

Somente 10 anos depois, quando dois missionários lazaristas ficaram sabendo que a pequena ruína com quatro paredes e já sem o teto vinha sendo venerada desde longo tempo pela população de uma pequena e distante vila de descendentes dos cristãos de Éfeso, que a chamavam com o nome de “Panaya Kapulu” (“Portal para a Virgem”) e que os anos peregrinavam até o local no dia 15 de agosto foi decidido adquirir, restaurar e preservar o local e as redondezas. O local é chamado de Santuário de Meryemana (A Casa de Maria).

A pequena casa de pedra, rústica e modesta, não tem a ostentação de uma grande Basílica, mas é um lugar tão místico que é difícil descrever com palavras o sentimento que se tem ao adentrar a pequena capela, dificilmente ao olhar para nossos peregrinos não os vemos emocionados e muitos chorando contagiados pelo clima do ambiente.

No caminho, painéis contam a história do santuário em várias línguas. Apenas a parte central, onde se encontra o altar e uma pequena sala, está aberta ao público. As fotos no seu interior são expressamente proibidas. Há lugares para acender velas e fazer orações. No quintal da casa existe uma fonte, que, segundo a tradição, tem poder curativo. A água ficou conhecida como a Água de Maria. Um pouco à frente, em um muro colorido recoberto de papéis, o retrato fiel da fé em Nossa Senhora: milhares de pedidos e agradecimentos são pregados na parede.

O santuário recebe por ano mais de 800 mil peregrinos. Entre eles, cristãos, cristãos ortodoxos e muitos muçulmanos, já que no Alcorão Maria é muito respeitada e bastante citada e chamada de várias formas, como a escolhida de Deus, a mulher mais notável do mundo, pura, imaculada, casta.

A Igreja Católica jamais se pronunciou sobre a autenticidade da Casa de Maria justamente pela falta de evidências cientificamente aceitáveis. Porém, ela tem demonstrado, principalmente após as bençãos da primeira peregrinação pelo papa Leão XIII em 1896, uma atitude positiva em relação ao local.

O papa Pio XIII, em 1951, seguindo a definição do dogma da Assunção, do ano anterior, elevou a casa ao status de Local Sagrado, um privilégio que posteriormente foi eternizado pelo papa São João XXIII. O papa São Paulo VI esteve no santuário em 26 de julho de 1967, o papa São João Paulo II, em 30 de novembro de 1979, e o papa emérito Bento XVI, em 29 de novembro de 2006.