As Santas Metéoras: Uma Cidade de Pedra Unindo o Céu e a Terra

Quando em nossos Retiros Sobre Rodas percorremos os caminhos por onde São Paulo passou levando a nova vida deixada por Jesus, pela Turquia e Grécia, temos a graça de visitar lugares maravilhosos como a casa de nossa Mãe do Céu em Éfesos, os lugares a quem São João Evangelista direcionou as cartas do Apocalipse – Éfeso (Ap 2:1-7), Esmirna (Ap 2:8-11), Pérgamo (Ap 2:12-17), Tiatira (Ap 2:18-29), Sárdis (Ap 3:1-6), Filadélfia (Ap 3:7-13) e Laodiceia (Ap 3:14-22) e além de outros, também este lugar especial que queremos compartilhar com vocês

“O complexo de Mosteiros de Metéora”

Metéora, que em grego significa “suspenso no ar”, fica na Tessália, no centro da Grécia, a cerca de 350 quilómetros de Atenas e as cidades mais próximas são Salónica e Kalampaka. Em 1988 a UNESCO classificou o local como Patrimônio Mundial tanto a nível artístico, como natural, um dos poucos locais do planeta a receber as duas indicações da organização.

Aqui temos um dos maiores e mais importantes complexos de mosteiros do Cristianismo Oriental, superado apenas pelo Monte Atos, e sua origem remonta aos séculos X, quando em razão das invasões turcas, os sacerdotes ortodoxos da região ergueram refúgios nos cumes pedregosos cujos acessos só eles conheciam. O acesso era feito através de gruas e só em 1920 foram construídas escadas para aceder aos mosteiros.

O local é naturalmente impressionante pelo desenho único das grandes rochas e unindo esta paisagem ao cenário criado com a construção dos vários monastérios, seu visual chega a ser surrealista.

O primeiro mosteiro, Megalo Metéoro, foi fundado em 1336 por um monge chamado Athanasios. Está instalado em uma pedra a 536 metros de altura e durante a visita é possível ver a caverna onde morou o primeiro monge.

A forma como foi a construção dos mosteiros ainda é uma incógnita, pois até a construção dos caminhos e estradas, no século 20, a única forma de subir aos mosteiros era de teleférico e cordas com roldanas.

No início do século XII, formou-se um estado monástico rudimentar à volta da Igreja de Theotókos (mãe de Deus), que ainda hoje existe. Foram construídos 24 mosteiros, hoje ainda existem 13, porém apenas 6 deles continuam ativos – Megálos Metéoros (Mosteiro da Transfiguração), Varlaam, Ágios Stéphanos (Santo Estêvão), Ágia Tríada (Santíssima Trindade), São Nicolau Anapausas e Roussanou. Os demais foram sendo abandonados ao longo dos tempos e permanecem apenas como memória viva – e visual – de uma história impressionante de fé e sobrevivência.

Um dos principais motivos para o encerramento da maioria dos mosteiros foi o inevitável aumento do interesse turístico, o que, naturalmente, vai contra o ideal de isolamento da vida monástica. Dos 6 mosteiros restante, 5 são masculinos, onde vivem 20 monges e um é feminino, onde vivem 4 monjas.

A viagem até o topo dos rochedos é uma experiência incrível por si só. No caminho, basta levantar os olhos para o céu para observar o complexo de rochedos que se erguem por entre as florestas de pinheiros e faias. Os caminhos sobem para os mosteiros, por entre rochedos e arvoredos habitados por lobos, falcões, águias, entre outros. Além do caminho e paisagens incríveis, nos mosteiros encontram-se inúmeras relíquias e obras de arte antigas.

Os mosteiros surgiram por razões místicas, no entanto pela sua localização isolada foram extremamente importantes para preservar a herança bizantina. Assim, o complexo tornou-se santuário de relíquias cristãs. O mosteiro de Varlaam, por exemplo, guarda um pedaço da Verdadeira Cruz, um dedo de são João Batista, um dedo de são Basílio, um pedaço da escápula do apóstolo santo André e o braço esquerdo de são João Crisóstomo.

O Monastério de são Nicolau Anapausas, erguido em 1388, contém alguns dos afrescos mais importantes da arte bizantina pintados em 1527 pelo monge Teófanes, de Creta.

No acervo dos mosteiros Megalo Meteoron e de Roussanou encontramos lindos evangelhos manuscritos com capas gravadas a ouro e prata, objetos litúrgicos e pergaminhos antigos.

No Mosteiro da Transfiguração, as peças mais valiosas e que atraem mais visitas, são os evangelhos manuscritos em pergaminhos e ilustrados com iluminuras dos séculos XII e XIII e uma transcrição manuscrita da Liturgia de são Crisóstomo com ilustrações do monge Makaios.

Ao final de nossa visita a este lugar tão especial, enquanto atravessamos a planície de Tessália, somos invadidos por uma profunda sensação de paz, ainda mais quando recordamos que há alguns séculos ecoavam vigorosos cantos, vindos do topo dessa paisagem mística em forma de orações dos monges, enclausurados nos mosteiros à beira do céu, em seu propósito único de devoção a Deus.