Os Avós do Filho de Deus

2020-07-26
Espiritualidade

Na postagem Igreja: Fruto do Pentecostes Padre Wilton nos colocou que o Espírito Santo desceu sobre a Virgem Maria para fazer com que Deus se tornasse homem, humano. Hoje compartilharemos com vocês a ação deste mesmo Espírito Santo na concepção dela, a Virgem Maria.

Os Evangelhos Canônicos não fazem nenhuma referência aos avós maternos de Jesus e o que sabemos pela tradição sobre eles nos é passado pelos Evangelhos Apócrifos, os quais embora não sejam considerados autênticos do ponto de vista teológico têm um certo valor histórico.

O Proto Evangelho de Tiago, também conhecido como Evangelho de Tiago, nos traz um texto chamado “Natividade de Maria” considerado a mais completa referência sobre a origem de Maria. Por este motivo gozou de consideração entre os primeiros escritores cristãos, como São Clemente de Alexandria e São Justino tendo influenciado fortemente a Liturgia e a Mariologia da Igreja.

Este texto começa com o nascimento de Maria Santíssima, sua consagração no Templo, o casamento com José, a concepção de Jesus, a visita dos Reis Magos e a perseguição e matança das crianças inocentes. Fala dos nomes dos pais de Maria: Joaquim e Ana, que era estéril; fala da consagração de Maria no Templo aos três anos de idade, onde permanece até completar os doze anos.

A devoção a São Joaquim e Santa Ana teve origem no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos da nossa era. No ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla e a partir daí foram para as igrejas do ocidente, estando a maior parte delas na igreja de Santa Ana na Alemanha. Em 1584, o papa Gregório XIII institui que a festa de Santa Ana seria comemorada no dia 26 de Julho. A partir de 1584, também São Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. A partir de 1913, a igreja unificou a celebração para uma data única, 26 de julho.

Não há dúvidas de que Santa Ana foi escolhida e preparada para conceber a Mãe de Jesus. A concepção, ou conceição, de Nossa Senhora, deu-se num relacionamento conjugal normal. Porém não foi apenas isto, pois naquele momento, pelo poder de Deus, o amor humano, meio necessário para a concepção de uma criança, foi engrandecido pelo amor do Espírito Santo conforme o plano do Pai, nele operando a força redentora de Cristo, em previsão com o mistério pascal que Ele abracaria, ao término de sua vida terrena.

Desta forma, Maria foi concebida sem a mancha do pecado original que pesa sobre todos nós desde o pecado de Adão, tendo sido ela preservada pelos méritos do próprio Filho, que conceberia pela ação do Espírito Santo.

Segundo a tradição, Joaquim e Ana ao conceberem Maria não tinham conhecimento da conceição imaculada de sua filha e não há nenhuma evidência na tradição que em algum momento isto lhes tenha sido revelado. A certeza que temos como dogma de fé é que conceberam uma filha totalmente pura, abençoada por Deus em um matrimônio santo, como certamente viviam.

Ainda segundo a tradição, sua avó conviveu com o Menino Jesus em sua infância e desta forma pode levá-lo em seus braços e sentá-lo nos seus joelhos. Pode contemplar os seus traços infantis tão belos e conhecer os milagres de seu nascimento e agora, no céu, sente a emoção e a alegria ao contemplar o seu neto reinando eternamente.

O fato de a Bíblia não fazer menção a São Joaquim e Santa Ana em nada minimiza sua participação na história da salvação, pois a própria palavra nos diz em Eclesiástico:

é em seus filhos que se reconhece um homem. (Eclo 11, 30)

ou ainda em Provérbios:

A coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais. (Pv 17, 6)

Existe maior grandeza do que a de Maria Santíssima? Portanto o louvor a Mãe de Deus não encerra de certo modo o louvor e a glória da Mãe da Mãe de Deus? Que filha mais elevada e glorificada que Maria? E por quê? Porque dela nasceu Jesus Cristo, que a faz bendita entre todas as mulheres. Que mãe, depois de Maria foi mais honrada, mais privilegiada que a Mãe daquela que é a mãe do seu criador? Podemos dizer também de Santa Ana nas devidas proporções do louvor:

Todas as gerações vos hão de chamar bem-aventurada, porque sois bendita entre todas as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre Maria.

São Joaquim e Santa Ana são a origem, o tronco, de onde nasceu aquela que nos deu o fruto, Jesus. Com seu amor extraordinário, aperfeiçoado pela ação do Espírito Santo, nos deram Maria toda pura, e dela nasce o Cristo, o Santo de Deus, originando a Sagrada Família.

Três cidades disputam a honra de ter sido o local de nascimento da Mãe de Deus. A primeira é Belém em razão do fato de Nossa Senhora ser de estirpe real, da casa de Davi. O principal argumento dos que sustentam esta se baseia num documento intitulado “De Nativitate Sanctae Mariae” (“Sobre o nascimento de Santa Maria”), incluído na continuação das obras de São Jerônimo.

Tendo como base que na época do Imperador Constantino (séc.IV) foi construída uma igreja em Séforis, localidade próxima a Nazaré, para celebrar São Joaquim e Santa Ana, que ali residiram, muitos defendem a possibilidade de Maria ter nascido neste local. O argumento dos defensores das outras hipóteses é que o fato de seus pais terem morado lá não indica necessariamente que seja o local do nascimento de Nossa Senhora.

A hipótese que congrega o maior número de adeptos é a de que Maria nasceu em Jerusalém. São Sofrônio, patriarca de Jerusalém (634-638), escreve no ano 603 que aquela é a cidade natal de Maria Santíssima. São João Damasceno defende a mesma posição. Segundo esta tradição, no local onde hoje se encontra a Basílica de Santa Ana foi onde residiam Ana e Joaquim e lá em um sábado, dia 08 de setembro do ano 20 AC, nasceu sua filha Míriam que em hebraico significa Senhora da Luz e traduzido para o latim Maria.