Edith Stein: Filha de Israel, Mártir de Cristo

2020-08-09
Espiritualidade

Hoje, 09 de agosto, celebramos a festa liturgica de Santa Edith Stein, Irmã Teresa Benedita da Cruz, canonizada pelo Papa São João Paulo II em 11 de outubro de 1998.

No 2° Congresso Internacional de Aprofundamento de Carismas, que ocorrerá no próximo ano no período de 23 de agosto a 05 de setembro, visitaremos Auschwitz onde aconteceu o seu martírio.

Edith Stein

Nascida em 12 de outubro de 1891 na cidade de Breslau, Alemanha, em uma próspera família de judeus, foi criada e educada dentro da religião judaica. Edith sempre foi muito aplicada nos estudos, mostrando forte determinação, com um caráter inabalável e muito obstinada. Aos 13 anos de idade, em uma crise pessoal, abandonou a escola, deixou o Judaísmo e tornou-se agnóstica.

Tendo retomado os estudos, recebeu em 1916, com graduação máxima, o título de doutora em fenomenologia. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX.

Durante seu curso de filosofia, começou a manter seus primeiros contatos com o Catolicismo e em 1921, lendo a autobiografia de Santa Teresa d’Ávila foi tocada pela luz da fé e converteu-se ao catolicismo, sendo batizada em 01 de janeiro de 1922. Seus familiares, a exceção de sua irmã Rosa, nunca aceitaram esta sua decisão. Sua irmã Rosa foi batizada após a morte da mãe, em 1936.

Após sua conversão, Edith começou a servir a Deus lecionando no Liceu Dominicano de Spira, onde passou dez anos. Além disso, proferia conferências nos países circunvizinhos, tratando de temas variados, tais como: na área pedagógica sobre a estrutura do ser humano; na área social sobre o papel da mulher na sociedade; e na área religiosa sobre a atuação do leigo na Igreja Católica. Assim, ia suscitando nas pessoas a responsabilidade pela construção de uma sociedade igualitária.

Em 1933, chegava ao poder Hitler e o Partido Nazista. Todos os professores não arianos foram demitidos e, neste momento, o desejo que tinha de consagrar-se a Deus como religiosa, desde que havia recebido o batismo doze anos antes,  consolidasse e ela concluí que é o momento de concretizar seu sonho. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas.

A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.

Para comemorar os 400 anos do nascimento de São João da Cruz a Provincial dos Carmelitas Descalços solicitou lhe elaborar um estudo sobre o Reformador da Ordem Carmelita. Com o coração sensibilizado ela traz a lume a obra “A ciência da cruz”, que aborda a fenomenologia da Cruz e da Noite. A Cruz, enquanto evento salvífico, e a Noite, como caminho, são elementos para que o ser humano chegue à união com Deus.

Essa obra retrata a vida de João da Cruz, mas também reflete o estado de alma da autora, como que sintetizando a sua vida de cruz em meio às trevas do nazismo que mergulhava a sociedade europeia no caos.

Em 1942, o episcopado holandês sofreu as atrocidades nazistas e todos os católicos, não arianos, foram presos. Em meados de julho Irmã Teresa e sua irmã de sangue, Rosa, foram presas pela Gestapo e em companhia de mais 987 pessoas são levadas a diversas prisões, até que na madrugada de sete de agosto são embarcadas em um trem com destino ao Campo de Concentração de Auschwitz, onde chegaram na madrugada de 09 de agosto.

No livro Edith Stein – Uma Santa em Auschwitz, de José Roberto Pedra, assim está descrito este momento:

Abrem-se as portas dos vagões, os soldados, aos gritos, mandam que todos desçam. Homem e mulheres são separados. Vem a ordem: “desnudem-se, vocês precisam se limpar, vão todos para o chuveiro”. Formou-se uma fila e aos grupos, iam entrando para o “banho”. Mas, do chuveiro não veio a reconfortante água, mas sim, gás cianídrico…

Na manhã do dia 09 de agosto de 1942, Edith, junto com seu povo, viveu o seu calvário. Viveu, na alma e no corpo, a “ciência da cruz”. Agora o Pai a acolhia em seus braços amorosos. Era, por fim, verdadeiramente, Bendita pela Cruz.

Em Auschwitz, além de Santa Edith Stein também foi martirizado São Maximiliano Kolbe, cuja morte ocorreu em 14 de agosto de 1941. Em nossas próximas postagens dividiremos aspectos de sua vida e obra.