São Maximiliano Kolbe: Uma vida nas mãos da Imaculada

2020-08-16
Espiritualidade

Em nossa última postagem compartilhamos um resumo da vida heroica de Santa Edith Stein. Martir no Campo de concentração de Auschwitz.

No ultimo dia 14 de agosto, a igreja celebrou a memória de São Maximiliano Kolbe, outro martir de Auschwitz, e queremos compartilhar um pouco da vida deste santo, que foi toda ela, centrada em Maria.

Raimundo Kolbe nasceu em 8 de janeiro de 1894, na Polônia, em uma família Cristã, de onde originou-se seu imenso amor a Maria e o suporte para sua decisão de entrar para a família franciscana, onde tomou o nome de Maximiliano Maria.

Durante o período em que foi enviado a Roma para terminar sua formação, inspirado pelo seu desejo de conquistar o mundo inteiro a Cristo, por meio de Maria Imaculada, fundou o movimento de apostolado mariano “Milícia da Imaculada” com o objetivo de promover o amor e o serviço à Virgem Maria e a conversão das almas a Cristo.

De volta à Polônia, publicou a revista mensal “Cavaleiro da Imaculada” e em 1929, fundou a primeira “Cidade da Imaculada”, no convento franciscano de Niepokalanów a 40 quilômetros de Varsóvia.

Como sacerdote foi professor e empenhou se no trabalho de evangelização através dos meios de comunicação, à época a imprensa, e desta forma pode evangelizar em vários países, inclusive o Japão, para onde foi voluntariamente em 1930. No Japão, fundou o  “Mugenzai no Sono” ou “Jardim da Imaculada” na periferia de Nagasaki. Neste local, os órfãos se refugiaram após a explosão da bomba atômica.  Atendendo ao chamado de seus superiores deixou seu apostolado no Japão e retornou à Polônia para assumir a direção de um grande convento franciscano.

Retornou a Polônia em plena segunda Guerra Mundial, transformando Niepokalanów em um lugar de acolhimento para os feridos, doentes e refugiados. Por não ter aceito a cidadania alemã, foi detido em Varsóvia e, alguns meses depois,  deportado para Auschwitz.

A última parte de sua vida foi uma provação permanente tendo sido despojado de seu hábito franciscano e destinado ao trabalho mais humilhante, como o transporte dos cadáveres para o crematório. Como penalização pela fuga de um prisioneiro, dez prisioneiros são selecionados para morrer de fome no chamado bunker da fome no Bloco 13. Ao ouvir o lamento de um dos escolhidos que iria deixar esposa e filhos, padre Kolbe se ofereceu para morrer em seu lugar.

Este prisioneiro, o sargento polonês Franciszek Gajowniczek, que sobreviveu a guerra, muitos anos depois recordou aquele momento dramático com estas palavras:

Kolbe saiu da fila, arriscando ser morto naquele momento, para pedir ao Lagerfhurer para me substituir. Era inconcebível que a proposta fosse aceita, de fato muito mais provável que o padre fosse adicionado aos dez selecionados para morrer juntos de fome e de sede. Mas não! Contra o regulamento, Kolbe salvou a minha vida.

Os 10 escolhidos, entre eles padre Kolbe, foram trancado no “bunker da fome”.  Neste lugar trágico, guiados por padre Kolbe, o desespero é substituído pela oração a Maria. Os dias se passaram e o “coro” de vozes orantes perde seu vigor e torna-se um sussurro tênue. Após duas semanas de sofrimento apenas padre Kolbe e mais três prisioneiros permaneciam vivos. Os guardas decidiram então acelerar o fim de suas vidas com uma injeção de ácido fênico. No dia 14 de agosto de 1941, Padre Kolbe estendeu seu braço e suas palavras antes de morrer foram o último selo de uma vida colocada nas mãos da Imaculada Conceição  – “Ave Maria”.

No dia seguinte, dia da da Assunção da Santíssima Virgem Maria, ele foi cremado e suas cinzas misturadas com as de muitos outros condenados à morte.

Padre Kolbe foi proclamado santo em 10 de outubro de 1982 por São João Paulo II. Em sua homilia, o Papa  assim se referiu a ele:

A inspiração de toda a vida do Padre Kolbe foi a Imaculada, a quem ele confiou seu amor por Cristo e seu desejo de martírio. No mistério da Imaculada Conceição, se revela diante dos olhos de sua alma aquele mundo maravilhoso e sobrenatural da Graça de Deus oferecido ao homem.

Além de São Maximiliano Maria Kolbe e Santa Edith Stein, a igreja reconhece em Auschwitz mais um beato e duas servas de Deus que nos ensinaram, com seus exemplos, como ser luz em meio à escuridão da crueldade humana, São eles:

Beato Pe. José Kowalski – Nascido em 13 de março de 1911 na Polônia,. Destacava por seu serviço, atenção e trabalho árduo, assim como por sua disposição em apoiar os jovens e no atendimento às confissões. Seu zelo por aproximar mais as pessoas de Cristo chamou a atenção do exército nazista, que o prendeu junto com outros onze salesianos em 23 de maio de 1941. De acordo com os testemunhos, durante sua prisão, o beato organizava a oração cotidiana no campo. Foi  martirizado na madrugada de 4 de julho de 1942, afogado no esgoto do campo, depois de ter sido torturado. Sua beatificação ocorreu em 13 de junho de 1999.

Serva de Deus Stanislawa Leszczynska – Nasceu em 8 de maio de 1896, na Polônia. Foi casada, teve dois filhos e uma filha, entretanto, foi separada dos homens de sua família quando a Alemanha invadiu a Polônia em 1939.Juntamente com sua filha foi enviada Auschwitz, onde, como era parteira, improvisou uma “sala de maternidade” nas barracas que se encontravam perto das caldeiras, que estavam infestadas de todos os tipos de insetos e umidade. Este lugar se tornou a salvação de milhares de mães e bebês. Em razão de sua profunda fé. Ela batizava cada recém-nascido com o sinal da cruz na testa. Esteve em Auschwitz até sua libertação pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945, faleceu em 1974 e sua causa de canonização foi introduzida na Diocese de Lodz.

Serva de Deus Irmã Ângela do Sagrado Coração – nasceu na Alemanha em 1900. Foi presa pela Gestapo devido a um comentário que fez enquanto fazia compras para o seu convento, o qual foi – “Hitler é um flagelo para a Europa”. Foi levada para o campo de concentração de Ravensbrück e depois para o de Auschwitz, onde, por ser alemã e enfermeira, foi destinada ao dispensário médico. Em 1944, a religiosa morreu depois de ser atingida por uma bomba durante um bombardeio enquanto ajudava os doentes a se refugiar.  Em 19 de maio de 2020, o papa Francisco autorizou o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato, a promulgação do decreto relativo às virtudes heroicas desta serva de Deus que se torna venerável.