Abadia das Três Fontes: Local do Martírio de São Paulo

Continuando nossa caminhada pelos locais que visitamos durante nossos Retiros Sobre Rodas queremos dividir a experiência da visitação a Abadia das três fontes, onde segundo a tradição São Paulo foi martirizado, corando a sua missão evangélica neste mundo, conforme ele mesmo escreve a Timóteo em sua 2ª carta:

Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição (2 Tim 4,6-8).

A literatura Paulina é muito vasta, incluindo as cartas escritas por Paulo e também os Atos dos Apóstolos, escritos pelo Evangelista Lucas, com base na narrativa de Paulo, boa parte delas durante o período em que esteve na prisão, no entanto não encontramos nenhuma citação bíblica indicando o local onde o Apóstolo foi morto. Tudo o que sabemos foi passado através de escritos e testemunhos da tradição cristã que foram desde o início aceitos e narrados como verdadeiros.

No Atos dos Apóstolos encontramos os momentos difíceis que Paulo passou em Jerusalém, no anúncio do Cristo ressuscitado. Em que ao ser acusado pelos Judeus, Paulo se defende com o título de cidadão Romano, escapando da morte, sendo enviado para ser julgado em Roma no outono do ano 60 d.C. Depois de um processo de 2 anos recebe a liberdade.

Em 67 d.C. retorna a Roma acompanhado por Lucas e reconstitui a Comunidade, dizimada pelas perseguições de Nero. Foi preso e acusado de chefiar a seita cristã. Neste segundo cativeiro, sua situação ficou complicada pelo fato de pesar sobre os cristãos a acusação de terem incendiado Roma e era tratado como malfeitor conforme nos narra a segunda carta a Timóteo, capítulo 2º:9.

A Abadia das Três Fontes, também chamada de Abadia de São Vicente e Santo Anastácio, durante sua história foi gerida por diversas ordens religiosas, porém desde 1868 ela é dirigida pelos monges trapistas.

O complexo é composto por três igrejas:

A primeira, San Paolo alle tre Fontane, erguida no local, onde segundo a tradição São Paulo foi decapitado e sua cabeça ao desprender-se do corpo tocou o solo três vezes de onde nasceram três fontes de água.
Estas fontes permaneceram abertas até 1950, porem em razão do crescimento populacional da região suas águas tornaram se poluídas e foi decidido lacrá-las.

A segunda, Santa Maria Scala Coeli, é dedicada à Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora dos Mártires foi construída sobre as relíquias de São Zenão e seus companheiros.

São Zenão foi um tribuno romano que tinha sobre o seu comando uma legião de quinze mil soldados romanos, os quais juntamente com seu comandante converteram-se ao cristianismo. O imperador Deocleciano os colocou como escravos a construírem as famosas termas de Deocleciano onde perderam a vida 4.797 dos soldados. Em 298 d.C., Zenão e os 10.203 soldados remanescentes foram levados ao local onde encontra-se hoje a igreja e martirizados.

A igreja foi construída sobre o espaço em que todos foram martirizados e deixados seus corpos.
O nome Escada para o Céu, tem origem na visão que São Bernardo teve durante a celebração de uma Santa Missa no local, em que ele viu as almas subindo ao Céu através de uma escada.
No subterrâneo desta igreja podemos visitar a cela onde São Paulo permaneceu durante seu cativeiro e onde era visitado por São Lucas.

A terceira foi construída em 626 d.C. pelo Papa Honório I e foi dedicado a São Vicente e Santo Anastácio da Pérsia que emprestam seus nomes ao Mosteiro.

A abadia também é conhecida por suas outras atividades produzindo lã, diferentes espécies de mel (de flores, acácia e eucalipto), Azeite de Oliva, chocolate, marmelada, licores e cerveja, produtos que podem ser degustados e comprados durante a visita.

Os monges são responsáveis por criarem as ovelhas cuja lã é utilizada como matéria prima para tecer os pálios utilizados pelos arcebispos metropolitanos e abençoados pelo Papa durante a festa de Santa Inês, a cada 21 de janeiro. Os pálios são depois entregues aos novos arcebispos na Festa de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho.

Os monges da abadia são ainda responsáveis pela fabricação da Cerveja Trapista “Tre Fontane Tripel”, feita com eucaliptos plantados pelos próprios monges para combater um surto de malária no ano de 1870 e cultivados na abadia desde então. A cerveja é vendida apenas na abadia e em alguns restaurantes da região de Roma. Encorpada, tem alta carbonatação, final seco e possui teor alcóolico de 8,5%.

A cerveja produzida na abadia é uma da onze no mundo autorizadas pela Associação Internacional Trapista a usar o selo “Authentic Trappist Product” em seus rótulos.

Essas cervejas são sempre fabricadas pelos monges, dentro do mosteiro, e sua proposta é totalmente filantrópica: o dinheiro que não é utilizado para sustento do mosteiro, é totalmente destinado para causas sociais.

Durante nossa visita a Roma com o grupo do 2º Congresso Internacional de Aprofundamento de Carismas estaremos visitando a Abadia das três fontes e vivendo as graças oriundas deste lugar sagrado e, juntos, poderemos pedir a intercessão de São Paulo Apóstolo, para que seguindo os seus passos, sejamos dignos de um dia podermos contemplar face a face o grande mistério de amor que agora, podemos contemplar apenas sob os olhos da fé.