Nesta quaresma sigamos o exemplo de Padre Pio e sejamos loucos de amor pelo Senhor Crucificado

2021-02-07
Espiritualidade

Em pouco mais de uma semana, iniciaremos mais um período de quaresma e, por esta razão, devemos preparar-nos para viver em todos os dias deste período a morte e principalmente a ressurreição de Nosso Bom Amado Jesus.  Os Sacramentos são a fonte de Graça que jorra permanentemente da Igreja para nos dar força em nosso caminho de conversão, em especial, a busca da Eucaristia e da Confissão.

Toda a existência de Padre Pio, o pai espiritual de nossa obra, foi vivida sob o Sinal da Cruz. A sua vida santa constitui uma loucura de amor pelo Senhor Crucificado. Padre Pio fez da Eucaristia o cerne da sua vida na Igreja e com muita dedicação, o seu ministério da reconciliação foi verdadeiramente o serviço de um pastor.

O ministério da reconciliação de Padre Pio oferece-nos um aspecto particular da sua figura e para isto basta vermos a quantidade de pessoas feridas pelo pecado, que haviam se afastado de Deus, as quais foram curadas no segredo do seu confessionário onde ele permanecia durante mais de 16 horas diariamente.

Quando de nossas visitas ao convento dos capuchinos em San Giovanni Rotondo, juntamente com nossos peregrinos, podemos ter a graça de contemplarmos o confessionário em que tantas graças de conversão aconteceram e ainda hoje serve de motivação para muitos peregrinos que ao verem o confessionário sentem a necessidade de buscar de imediato a confissão, mesmo aqueles afastados dela por longos períodos. É como se padre Pio continuasse ali a convidá-los à busca da reconciliação.

Padre Pio ensinava:

“Morrer no pecado mortal, sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa que morrer separado dele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra inferno”.

A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para que foi criado e a que aspira.

Padre Pio aproxima-nos da Igreja, Mãe misericordiosa, em quem encontramos o amor de Deus que reconcilia. Cada pecador volta a encontrar no coração trespassado de Cristo a certeza das portas abertas para a esperança, para a vida nova e por isto ele dizia:

“Não há qualquer culpa, por mais grave que seja, que a santa Igreja não possa perdoar. Nem há pessoa, por muito má e culpável que seja, que não deva seguramente esperar o seu perdão, desde que o seu arrependimento seja sincero”.

Da mesma forma que o pecado desfaz os vínculos, em primeiro lugar com Deus e depois com os irmãos e, por conseguinte com a natureza (como se tudo se desvirtuasse), assim na conversão sacramental também existe uma cadeia de reconciliações, que têm início com a reconciliação com Deus:

“O penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no íntimo mais profundo do seu próprio ser, onde recupera a sua própria verdade interior; reconcilia-se com os irmãos, por ele de alguma forma agredidos e lesados; reconcilia-se com a Igreja; e reconcilia-se com toda a criação” (Reconciliatio et paenitentia, 31, part. V).

Padre Pio podia sem dúvida dizer, juntamente com São Paulo:

“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus” (Gl 6, 14).

A sua sabedoria foi a da cruz. Ele é um gigante de santidade, uma dádiva preciosa para a Igreja e para todo o mundo que tem necessidade de luz, de verdade e de paz e tudo porque a vida de Padre Pio traz a marca da cruz nos seus sofrimentos, nas incompreensões, nas proibições e nas calúnias A proximidade da cruz, manifestou nele uma realidade, que era obrigado a conservar escondida; é aquilo que afirma a Carta aos Gálatas:

“Com efeito, trago os estigmas de Jesus no meu corpo”.

Podemos dizer que contemplar e assemelhar-se ao Crucificado abriram as feridas de Jesus no corpo e nas mãos de Padre Pio que sangravam e o faziam sofrer, mas também este mesmo sangue fala da Eucaristia, centro e coração da vida da Igreja, o qual tem a capacidade de dar a vida numa abundância maravilhosa nos fazendo renascer para a vida de Deus, na dignidade eminente de filhos de Deus.