
Cruz de Cristo: Instrumento de nossa salvação
A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi Ele que nos salvou e libertou.
A origem da festividade de exaltação da Santa Cruz nos leva mais uma vez à Santa Helena, mãe do imperador Constantino, a grande responsável pela recuperação e preservação das relíquias e dos lugares santos da Terra Santa.
A primeira celebração em honra a Santa Cruz ocorreu no ano 335 por ocasião da dedicação das duas basílicas construídas por ordem de Constantino em Jerusalém, a do Martyrium ou Ad Crucem no Gólgota, e a do Anástasis, isto é, da Ressurreição.
No ano 614, durante a conquista da cidade Santa, o rei persa Cosroe Parvi roubou a preciosa relíquia, a qual foi resgatada pelo imperador Heráclio em 628. A partir desta data, a festa passou a celebrar este momento de recuperação e com o nome Exaltação expandiu-se para o ocidente.

A celebração de hoje parece contraditória. Como podemos “exaltar” o instrumento da morte de um inocente? Paulo, no início da era cristã já dizia que a cruz é uma loucura para os pagãos, mas para nós é o sinal da vitória. Jesus venceu a cruz. Por isso ela se tornou bandeira de salvação. Agora é ponte. Era cruz… agora é luz.
Cristo, encarnado na sua realidade concreta humano-divina, se submete voluntariamente à humilde condição de escravo (a cruz era o tormento reservado para os escravos) e o suplício infame transformou-se em glória perene. Assim a cruz torna-se o símbolo e o compêndio da religião cristã como nos relata São Paulo em sua carta aos filipenses.
“Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor” — para a glória de Deus Pai”.
O Papa Francisco reconhece que nem sempre é fácil entender a cruz. “Somente com a contemplação se vai avante neste mistério de amor”, e lembrou dos verbos que Jesus usa para explicá-lo a Nicodemos: subir e descer.
“Jesus desceu do Céu para levar todos nós a subir ao Céu”, disse, “este é o mistério da cruz”.
O Papa indica que para explicar isto, São Paulo diz que Jesus “humilhou a si mesmo”, fazendo-se obediente até a morte de cruz.
Em diálogo com Nicodemos, Jesus explicou que seria elevado na cruz para a salvação de todo aquele que nele crer. Elevado no madeiro da cruz, Jesus revelou o incondicional amor de Deus pela humanidade. Deus ama a todos sem distinção, alegra-se e se compraz em salvar a todos.
A celebração atual tem um significado bem maior do que o lendário encontro pela piedosa mãe do imperador Constantino, Helena. A glorificação de Cristo passa através do suplício da Cruz e a antítese sofrimento-glorificação se torna fundamental na história da Redenção.
A Cruz exaltada convida toda a criação a cantar hinos à paixão imaculada daquele que sobre ela foi erguido. Sobre a Cruz, Ele levou à morte quem nos tinha dado a morte, ressuscitou os mortos e, tendo-os purificado, em sua compaixão e infinita bondade os fez dignos de viver nos céus.
Em nossas peregrinações à Terra Santa, um dos grandes momentos de renovação da fé de nossos peregrinos é durante a celebração da Santa Missa no Monte Calvário, onde nosso Salvador foi pregado na cruz e elevado para nossa salvação.
A participação na celebração da cerimonia de exaltação da Santa Cruz com os frades franciscanos da Custódia da Terra Santa implanta no coração de quem dela participa um amor incondicional à Cruz e principalmente Àquele que nela se entregou por nós.

Olhemos agradecidos para o sinal de nossa libertação e renovemos nossa esperança no amor de Deus para cada um de nós. Com este pensamento em nossos corações, continuemos em nossa caminhada rumo à casa do Pai exaltando nosso Salvador e sua Santa Cruz.

Casados desde 1978. Afilhados de Padre Pio desde desde 2008. Desde 2011, são os dirigentes da SanPioTur, na qual cumprem a missão de resgatar almas para o Senhor através de peregrinações e Retiros Sobre Rodas.
