Confessores Capuchinhos: Instrumentos De Deus Para Nossa salvação

2021-08-15
Variados

Diversas vezes os frades capuchinhos foram mencionados pelas mais altas autoridades da Igreja, entre os mais famosos confessores na história. Fiéis ao seu carisma muitos santos, recordam-nos a profundidade do amor com que Deus nos ama, comunicado através da Igreja nos sacramentos, especialmente a Penitência e a Eucaristia.

Neste 14/08/2021, recordamos o aniversário de nascimento de Padre Frei Miguel Botacin que estaria completando 100 anos e que assim como São Padre Pio de Pietrelcina e São Padre Leopoldo Mandic dedicou toda a sua vida aos irmãos destacando-se a dedicação ao confessionário, atendimentos, conselhos e bênçãos ao povo, que a ele recorria todos os dias e a quem frei Miguel atendia com toda calma e iluminação de Deus.

A vida de frei Miguel foi marcada pelas mãos de Deus Pai desde o seu nascimento. De uma família de 13 irmãos, quando nasceu, sua mãe, que sofria de câncer, morreu horas depois. Uma perda que o fazia ter uma visão tranquila sobre a morte, para ele significava o reencontro “com quem deu a vida por mim”.

Criado por uma irmã de apenas 10 anos (que também seguiria a carreira religiosa) em fins de 1942, quando, ainda não estava oficialmente na vida religiosa, foi convocado para o serviço militar. A Itália estava em guerra, Mussolini cairia posteriormente e o jovem Hilário, seu nome de batismo, acabaria passando 5 anos em um campo de concentração na Baviera, onde entrou com 70 quilos e saiu com 38, um dos 300 sobreviventes dos 7.400 presos que ali estiveram.

Com o fim da Guerra, voltou a estudar graduando-se em psicologia. Seguiu para Angola, como professor de uma missão religiosa em Luanda. Desta época, veio uma das experiências mais dramáticas de sua vida: junto com um sacerdote numa visita pastoral a uma distante escola, foram presos por rebeldes do Congo Belga – então em sangrenta guerra civil da libertação – trucidaram o religioso que o acompanhava, só o poupando, “porque assim Deus quis”, recordava com lágrimas nos olhos ao lembrar esta tragédia. Traumatizado e abalado fisicamente voltou a Itália, de onde, após restabelecer-se, optou por uma nova missão. Desta vez o Brasil.

Em Curitiba, antes mesmo de ter sido ordenado sacerdote, pois lhe faltava completar o curso de teologia, frei Miguel já foi nomeado pároco da recém-criada Vila N. S. da Luz dos Pinhais onde se revelou de uma liderança extrema. A vivência com uma população pobre e carente, sua palavra amiga e, sobretudo, ação decidida, o fizeram adquirir uma credibilidade e mesmo dimensão mística que ele recusava a aceitar:

“Sou apenas um sacerdote como os outros, dedicado a minha paróquia”, 

repetia sempre.

Em sua simplicidade, frei Miguel usava apenas o bom senso, a sinceridade e a palavra amiga que o fazia ter uma média de 700 fiéis a cada missa que rezava em sua pequena capela, hoje Santuário São Leopoldo Mandic, e ouvia uma média de 5 mil confissões ao ano.

Frei Miguel, falecido em 10 de abril de 1997 e enterrado no jardim da Capela São Leopoldo, continua na mente das pessoas dos mais variados lugares do Brasil e do mundo como exemplo de vida dedicada ao serviço dos irmãos, na doação do confessionário, na forma de aconselhar as pessoas, no hábito diário da oração, na admiração e devoção pela Mãe de Deus, no amor sem medida pela pessoa de Jesus.

Frei Miguel em sua adolescência, passando pelo seminário de Pádua, teve um encontro definitivo em sua vida: por dois anos, foi assistente do já idoso e doente frei Leopoldo Mandic:

“Eu era ainda um garoto quando conheci frei Leopoldo, mas a sua luminosidade, sua grandeza, marcaram definitivamente a minha vida”,

recordava frei Miguel, repetindo as palavras e ensinamentos do milagroso capuchinho e por esta razão Frei Miguel foi, no Brasil, uma dos maiores entusiastas da causa de beatificação e posterior canonização em 16/10/1983 de São Leopoldo Mandic.

Quando Padre pio recebia peregrinos oriundos de Pádua que o visitavam, ele assim falava, referindo-se a frei Leopoldo Mandic:

“Por que vem me procurar aqui, se tem um santo lá na sua cidade?” 

São Pio de Pietrelcina, São Leopoldo Mandic e Frei Miguel Botacin, confessores capuchinhos, preciosos instrumentos nas mãos de Deus para distribuírem a salvação aos necessitados assim como o Mestre Jesus algumas vezes com a delicadeza com que Ele tratou a Samaritana e outras com a dureza que o próprio Jesus usou com Pedro em Mateus 16,23 quando voltando-se para ele, disse-lhe:

“Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!”   

Queremos dividir com todos a oração abaixo para implorar a assistência divina nas dificuldades da vida pela intercessão do servo de Deus Frei Miguel.

Ó Deus que em vossa infinita misericórdia vos dignastes olhar amorosamente para vosso servo Frei Miguel, atendei compassivo os pedidos que fazemos por seu intermédio, porque dedicou a vida ao confessionário como São Leopoldo Mandic, atendendo religiosos, religiosas, sacerdotes, seminaristas e povo de Deus e a quantos acorriam e nele viam um amigo e dedicado confessor.

 Concedei, ó Senhor, por sua mediação, a coragem aos desanimados, o consolo aos tristes e deprimidos, uma fé viva e ardente aos sem fé diante do que parece impossível aos esforços humanos por causa das situações atuais.

 Pelo amor compassivo que Frei Miguel vos dedicou atendendo os mais necessitados durante sua vida, socorrei os contaminados pelos vícios, pecados e drogas. Olhai benigno, Senhor pelas necessidades que envolvem o emprego, a doença, o namoro, a família, o casamento. 

Atrai os que estão longe da Igreja de Cristo e de seus sacramentos e dos que não amam e nem aceitam a Virgem Maria, Mãe de Jesus.

 Fazei, Senhor, que todos conheçam que vós sois a única fonte de vida espiritual e material, a recompensa dos humildes, a defesa dos abandonados e a força dos que em vós confiam. Assim Seja.

Pai Nosso –  Ave Maria –  Gloria ao Pai – Consagração a Nossa Senhora

(Com licença eclesiástica: Curitiba, 29/01/1999 – Dom Pedro Fedalto – Arcebispo de Curitiba)