Maria, a mãe de Jesus: Concebida sem pecado

2020-12-06
Espiritualidade

No próximo dia 08 estaremos celebrando a Imaculada Conceição de Maria, festa introduzida pela Igreja em 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa São Pio IX, quando a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma:

Maria isenta do pecado original.

Em nossos roteiros habituais de peregrinação temos a graça de recordar este dogma em diversos lugares onde a própria Nossa Senhora em suas aparições se declarou a Virgem Imaculada, bem como em nossas peregrinações à Terra Santa recordar o local do nascimento de Maria e o reconhecimento do anjo Gabriel a sua condição de sem pecado.

Na Terra Santa existe três hipótese para indicar o local da concepção da virgem Maria, Belém, Seforis e Jerusalém.

A hipótese que congrega o maior número de adeptos é a de que Maria nasceu em Jerusalém. São Sofrônio, patriarca de Jerusalém (634-638), escreve no ano 603 que aquela é a cidade natal de Maria Santíssima. São João Damasceno defende a mesma posição. Segundo esta tradição, no local onde hoje se encontra a Basílica de Santa Ana foi onde residiam Ana e Joaquim e lá sua filha Míriam que em hebraico significa Senhora da Luz e traduzido para o latim Maria foi concebida imaculada. Ainda na Terra Santa temos a graça de recordar este mistério em Nazaré quando na igreja da anunciação recordamos a saudação do anjo Gabriel à Maria que a chama de cheia de graças, plena de graças, ou seja sem nenhuma mancha, conforme nos narra o evangelho de São Lucas:

Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo… (Lc 1, 28)

A terminologia grega cujo anjo saudou Maria é κεχαριτωμένη. Este verbo, empregado no particípio perfeito, indica uma ação plenamente concluída no passado cujo efeito persiste no presente. Para os primeiros cristãos esta passagem é a própria plenitude da graça divina. São Jerônimo traduziu o termo grego para gratia plena (plena de graça) em sua famosa Vulgata Latina. Segundo ele, Maria viveu transbordando com as graças do Espírito Santo.

Durante nossos Retiros Sobre Rodas pelos Santuários Marianos podemos recordar esta condição de Maria em Paris quando visitamos o Convento da Medalha Milagrosa onde a própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração:

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadete e para todos nós:

Eu Sou a Imaculada Conceição. (“Je suis l’Immaculée Conception.”)

A sagrada escritura em diversas passagens nos conduz ao entendimento da condição imaculada de Maria, das quais queremos destacar:

Em Genesis:

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. (Gn 3:15)

Deus afirma que irá impor inimizade entre a mulher (Maria) e a serpente em um estado de inimizade perpétuo que culminará com a morte de satanás, então ela não poderia nem em sua conceição nem em qualquer outro momento de sua vida, estar, como Eva, em amizade para com ele. Maria e o diabo tornam-se imiscíveis, pois foi o próprio Deus que os impôs neste estado.

Em Apocalipse:

Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. (Ap 12:1).

O resplandecer dos corpos dos santos refere-se à graça divina derramada sobre eles em seu estado glorioso. Maria não apenas resplandece como o Sol, mas ela é revestida dele. Maria, devido à sua Imaculada Conceição, possui a plenitude da graça divina (cf. Lc 1,28), seu corpo glorioso é muito superior ao nosso.

Para concluir é importante termos em mente o ensinamento de Santo Ambrósio que assim define Maria:

Uma Virgem não só imaculada, mas uma Virgem que a graça fez inviolada, livre de toda mancha de pecado.

E a definição de São Proclo de Constantinopla sobre a origem de Jesus:

Ele veio dela sem qualquer falha, e fê-la para si mesmo, sem qualquer mancha, isto é, totalmente santa e sem culpa alguma.