
Peregrinando com Pe Pio: Pompeia – O berço da devoção ao Rosário na Itália
Dando continuidade a nossa série “Peregrinando com Pe Pio” que teve início com nossa postagem sobre Gargano hoje visitaremos Pompeia, o berço da devoção ao Rosário na Itália.
A cidade de Pompéia, ao sul de Nápoles, no ano 79 d.C., em uma erupção fulminante do vulcão Vesúvio, foi soterrada embaixo de 10 metros de cinzas, impregnada de vapores sulfúreos e de cloro que sepultaram seus 25 mil habitantes e tudo que havia nas imediações.
No início do século XVIII, a cidade foi redescoberta, mas somente após a metade do século XIX começaram os trabalhos arqueológicos de uma forma contínua para regatar a história da cidade.
Em outubro de 1872, a condessa de Fusco, Marianna Farnararo, enviou o administrador de seu patrimônio, o advogado Bartolo Longo para o Vale de Pompéia, a fim de administrar seus terrenos nesta região.
Lá chegando, Bartolo encontra uma população afastada de qualquer experiência de fé. A miséria espiritual dos habitantes, quase todos trabalhando nas escavações, o impressionou. Nada havia naquelas terras, a não ser uma pequena igreja, já muito arruinada e tão pobre que não tinha sequer uma imagem.

Beato Bartolo Longo: De revolucionário à Apóstolo do Rosário
Nascido em 10 de fevereiro de 1841 em Latiano (Itália), Bartolo Longo recebera educação cristã, porém durante o período em que estudava Direito, foi contaminado pela mentalidade anticristã e anticlerical da época, e aos 20 anos uniu-se a Garibaldi, Cavour e Vitor Emanuel no movimento revolucionário pela unificação italiana e a eliminação dos Estados Pontifícios com a supressão do poder temporal dos Papas.
Vicenzo Pepe, professor em sua cidade natal reconquista a sua amizade e foi o elo para Bartolo se aproximar do frade dominicano, Padre Alberto Maria Radente, que o reconduz à sua antiga fé, alcançando a conversão no dia do Sagrado Coração de Jesus de 1865. Entrou para a Ordem Terceira Dominicana e entregou-se a obras de caridade.
Em certa ocasião, caminhando pelas ruinas de Pompeia lembra das palavras de Padre Alberto:
Se quiser se salvar propaga o rosário. É a promessa de Nossa Senhora.
A partir daí, tornou-se catequista e apóstolo daqueles operários, ensinando-lhes a rezar o Rosário e para fixar ainda mais a devoção começa juntamente com o Padre Radente, seu diretor espiritual, a busca de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário para ser entronizada na pequena igreja paroquial.
Recebe de uma religiosa uma pintura bastante danificada com a imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus no colo entregando o Rosário para São Domingos de Gusmão e Santa Rosa de Lima.
Esta imagem danificada, por falta de outra em melhor estado, foi levada a Pompeia onde foi restaurada e enquadrada em uma tela, Durante a restauração, a imagem de Santa Rosa de Lima foi substituída por Santa Catarina de Sena.
O quadro foi exposto na igreja pela primeira vez no dia 13 de fevereiro de 1876 e desse dia até o dia 19 de março, oito grandes milagres se realizaram diante da estampa, com repercussão em toda a Itália.
Atendendo ao pedido de seu bispo, Bartolo iniciou uma campanha de arrecadação de fundos por toda a Europa para construção de um novo santuário que atendesse a grande multidão que acorria a Pompeia em busca dos milagres que ali ocorriam.
A construção iniciou se em maio de 1876 e seu termino ocorreu em 1901 quando em 04 de maio, o papa Leão XIII, conhecido como o papa do Rosário, elevou o santuário à pontifícia basílica.
Quando, em 5 de outubro de 1926, faleceu Bartolo Longo, sua obra já atingia proporções grandiosas. A Basílica Pontifícia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia tornou-se um centro internacional de propagação do Rosário sendo visitada por mais de 4 milhões de peregrinos anualmente. Além disso, em torno do Santuário foi construída uma cidade mariana, com numerosos institutos de beneficência. Bartolo Longo foi beatificado em 26 de outubro de 1980 pelo papa São João Paulo II.

Padre Pio era profundamente devoto de Nossa Senhora de Pompéia e sempre que possível a ia visitar. Sua primeira visita foi em 1901, quando tinha quatorze anos, acompanhado de sua professora e sete colegas da escola. Como soldado, durante o serviço militar em Nápoles, ele nunca deixou de ir a Pompeia de vez em quando para dizer “olá” à sua “bela Virgem”.
Poucos dias antes de sua morte, na véspera do 50º aniversário de seus estigmas, foi-lhe oferecido um buquê de rosas. Ele ficou profundamente comovido e, com um leve gesto em direção à imagem da Virgem Mãe, pegou uma rosa e pediu a um de seus filhos espirituais que a levasse a Pompéia e a colocasse em frente à imagem da Virgem Maria.
Aquela rosa, colocada em frente ao quadro de Nossa Senhora não murchou; permaneceu linda, fresca e perfumada até o dia da morte do Padre; então fechou e tornou-se um botão novamente, sendo colocada em um relicário.
Por ocasião das comemorações do centenário dos estigmas de padre Pio, o quadro da Virgem do Rosário de Pompeia foi transladado a San Giovanni Rotondo onde permaneceu por 10 dias. Junto com o quadro também peregrinou o relicário com a prodigiosa rosa doada por Padre Pio à Virgem do Santuário de Pompeia.

Casados desde 1978. Afilhados de Padre Pio desde desde 2008. Desde 2011, são os dirigentes da SanPioTur, na qual cumprem a missão de resgatar almas para o Senhor através de peregrinações e Retiros Sobre Rodas.
