Retiro sobre Rodas na Terra Santa: Cafarnaum, a Cidade de Jesus – o Pão da Vida

Continuando nossa caminhada com Jesus, vivendo seus milagres e ensinamentos visitaremos hoje as cercanias da cidade que Ele adotou para ser a cidade base do início de sua pregação ao mundo.

Os quatro evangelistas colocam Cafarnaum como o centro do ministério público de Jesus enquanto vivia na Galileia e o evangelho de São Mateus no capítulo 4, versículo 13, cita que Jesus deixa a cidade de Nazaré e foi habitar em Cafarnaum para que se cumprisse a profecia:

[evc_blockquote type=”with-icon” text=”O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. (Is 9,1 )”]
[evc_section_title title_tag=”h4″ enable_separator=”yes” title=”Cafarnaum” separator_width=”100%” separator_top_margin=”10″ title_color=”#ffffff” separator_color=”#ffffff”]

Cafarnaum, localizava-se no caminho do mar (Via Maris), importante rota comercial ligando Damasco ao Mediterrâneo e ao Egito, atravessando a Transjordânia e a Galileia e numa zona fronteiriça entre duas regiões governadas pelos filhos de Herodes – Galileia, por Antipas, e Gaulanítide, por Filipe.

Segundo alguns estudiosos, a localização estratégica da cidade foi uma das principais razões da escolha de Jesus. A cidade oferecia fácil acesso à maioria das aldeias da região da Galileia, tanto por terra quanto por mar, além de que a passagem de grande número de caravanas possibilitava a divulgação para além da região das obras e ensinamentos do Senhor.

Além de Jerusalém, nenhuma localidade reúne tantas recordações da passagem do Senhor pela terra como Cafarnaum e cercanias, e que nos são relatados pelos seguintes evangelhos:

  • chamado de Pedro, André, Tiago e João enquanto trabalhavam com seus barcos e redes (Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-20; Lc 5, 1-11);
  • a vocação de Mateus quando trabalhava na coletoria de impostos e a festa em sua casa, com outros publicanos (Mt 9, 9-13; Mc 2, 13-17; Lc 5, 27-32);
  • a expulsão de um espírito impuro (Mc 1, 21-28; Lc 4, 31-37);
  • a cura da sogra de Pedro (Mt 8, 14-15; Mc 1, 29-31; Lc 4, 38-39),
  • a cura do paralítico que os amigos desceram através do teto (Mt 9, 1-8; Mc 2, 1-12; Lc 5, 17-26),
  • a cura da hemorroíssa (Mt 9, 20-22; Mc 5, 25-34; Lc 8, 43-48),
  • a cura do homem da mão paralisada (Mt 12, 9-14; Mc 3, 1-6; Lc 6, 6-11);
  • a ressurreição da filha de Jairo (Mt 9, 18-26; Mc 5, 21-43; Lc 8, 40-56);
  • o pagamento do tributo do Templo com a moeda encontrada na boca de um peixe ( Mt 17, 24-27).

Enquanto ensinava na sinagoga de Cafarnaum, Jesus pronunciou muitos de seus importantes discursos, como o que Ele afirmou ser o Pão da Vida.

“Asseguro a vocês que aquele que crê tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: “Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos?” Jesus lhes disse: “Eu digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. Este é o pão que desceu dos céus. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta deste pão viverá para sempre”. Ele disse isso quando ensinava na sinagoga de Cafarnaum. (Jo 6:47-59).

Apesar de terem presenciado e vivido os grandes feitos de Jesus ouvindo diretamente de seus lábios as boas novas da salvação, a maioria dos habitantes de Cafarnaum não deram crédito à pregação da graça de Deus e por isto a cidade foi condenada por Jesus devido a sua falta de fé, e escutou dele a predição acerca de sua total ruína:

[evc_blockquote type=”with-icon” text=”E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia. Por isso, te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti! (Mt 11:23,24).”]

No século VII, a cidade entrou em declínio e acabou abandonada sendo sepultada pela ação do tempo, caindo no esquecimento até o início do século XX, quando a Custódia da Terra Santa conseguiu adquirir a propriedade e promover as primeiras escavações.

Quando visitamos as ruínas de Cafarnaum que chegaram até nós, com certeza temos à vista muitos dos locais onde estes fatos ocorreram, no entanto, só contamos com informações para localizar dois, a casa de Pedro e a sinagoga.

Ao terminarmos nossa visita, peçamos a Deus que tenhamos a fé que, em Cafarnaum, o centurião romano, ao pedir a cura de seu servo, demonstrou ao Senhor, a ponto de Jesus ter exclamado:

[evc_blockquote type=”with-icon” text=”Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém em Israel. (Mt 8,10)”]

Declaração, perpetuada em todas as Santas Missas celebradas no mundo:

[evc_blockquote type=”with-icon” text=”Senhor, eu não sou digno que entreis em minha casa, mas dizeis uma só palavra e meu servo será curado. (Mt 8,8)”]